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Ensinar é um exercício de imortalidade

Texto escrito pela psicóloga e aluna do curso de Formação em Psicologia Escolar, Roberta Baechtold


“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naquele cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais...” (ALVES, 2000 p.5)


Esse enunciado faz referência à permanência do trabalho educativo do professor com relação aos seus educandos. Ou seja, mesmo que a instituição de ensino tenha como objetivo formar a pessoa para pensar e agir em seu mundo, esse não é um processo indiferenciado e mecânico, e o professor não é um mero técnico. Diferentemente, as subjetividades envolvidas nos processos de aprendizagem atuam fortemente em seus resultados. Nesse sentido, a qualidade da relação estabelecida entre educandos e educadores cumpre um importante papel nas formas pelas quais os conteúdos serão ou não compreendidos e internalizados.


Nesse sentido, podemos abrir um espaço de problematização do enunciado dessa questão. Há sim professores que morrem, que passam batido nas trajetórias escolares, que não fazem com que sua presença constitua uma memória na formação do educando. Contudo, mesmos nesses casos, as atividades e conteúdos trabalhados seguem operantes nas formas de entender o mundo pelos alunos, em maior ou menor grau, menos ou mais vinculadas à sua figura. Isso porque é impossível que uma experiência educativa seja vivenciada sem efeitos e consequências. No trabalho do professor, trata-se, fundamentalmente, de inscrever seu trabalho na trajetória de seus educandos, e fazer com que o mesmo seja mobilizado nas intervenções que engajam sobre suas realidades.


Se a educação institucional é responsável por formar o indivíduo para atuar e contribuir com o meio em que vive, esse processo depende de maneira essencial do trabalho vivo do educador em sala de aula, um profissional formado especificamente para cumprir essas atividades. Seus ensinamentos seguem vivos nas práticas e reflexões de seus educandos, na medida em que seu trabalho for melhor ou pior sucedido. O projeto do professor é se manter vivo em seus alunos, e para isso necessita de estrutura de trabalho, salário digno, plano de carreira dentre outras muitas questões que implicam a valorização da educação em nossa sociedade.


Dessa forma, a vida ou morte do trabalho do professor em seus educandos não depende só de sua atuação estrita, mas de um contexto de valorização de seu trabalho e do trabalho de outras categorias que fazem o seu acontecer, como os demais funcionários da instituição de ensino e também as atividades de gestão.




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