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A Carreira na Psicologia Escolar

por Vivien Rose Böck, psicóloga clínica e escolar, mestre em Psicologia e diretora do CAPE

Este texto é um pouco diferente dos demais apresentados aqui no nosso blog, porque não vamos falar de outros, de como entender as famílias, os bebês, a inclusão escolar. A ideia é de podermos refletir sobre nós mesmos, sobre a carreira ou as carreiras de quem atua como profissional da Educação está construindo.

Como o CAPE abriu um novo setor sobre desenvolvimento de carreiras – Especialização em Psicologia do Desenvolvimento de Carreiras – fiquei pensando na nossa carreira dentro do amplo espectro da Psicologia Escolar. Nesses meus pensamentos, também lembrei que, como professora da PUCRS e na especialização de Psicologia Escolar e Gestão do CAPE/FATO, ouço frequentemente as dúvidas e ansiedades das alunas e alunos sobre como construir essa carreira, aonde e como procurar emprego, ou como fazer consultoria nas escolas. Frente a estas perguntas e principalmente frente à realidade profissional de mercado, pode-se constatar que a psicologia escolar responde às mesmas circunstâncias que as demais profissões de ensino superior em relação ao desenvolvimento de carreira.

A carreira é um processo que ocorre ao longo da vida e refere-se – mas não se restringe – ao desempenho de atividades profissionais, envolvendo aspectos tanto objetivos quanto subjetivos. A partir da década de 70, a dinâmica das relações de trabalho sofreu alterações significativas, decorrentes da aceleração dos avanços tecnológicos, do ingresso significativo das mulheres no mercado de trabalho e das políticas governamentais de austeridade. Sendo assim, a carreira tradicional do psicólogo escolar empregado na escola perdeu espaço para novas formas de interação, em que o contrato entre a escola/psicólogo já não contempla a promessa de um emprego estável ou de um desenvolvimento profissional linear e seguro.

Muitos estudos apontam a coexistência, na atualidade, de padrões de carreiras tradicionais com padrões de carreiras contemporâneos.  Mas o que é a carreira contemporânea?

Ela exige um compromisso dos profissionais com a realização de uma série de atividades autogerenciadas, a fim de criar opções de atuação que lhe permita atingir seus objetivos e garantir a trabalhabilidade.

A trabalhabilidade amplia o conceito da empregabilidade para outras fontes de renda e de realização profissional porque o emprego tem limitações e não deve, atualmente, ser encarado como a única opção. Ou seja, é a capacidade de um profissional de gerar trabalho, mais além do emprego. É como a pessoa constrói sua capacidade produtiva e econômica, seja como empregada, consultora, liberal, autônoma ou empreendedora, enfim, todas as múltiplas formas de trabalho. O psicólogo escolar, mais do que pensar em empregabilidade, deve planejar a carreira de modo a utilizar seu conhecimento e habilidades em atuações diversas. Neste sentido, eu busquei em dois modelos teóricos de desenvolvimento de carreiras algumas ideias de compreensão sobre a carreira de psicólogo escolar.

Carreira Proteana

A primeira referência diz respeito ao estilo de carreira Proteana. Uma orientação proteana implica em que a psicóloga conduza sua carreira de forma proativa, autogerenciada, dirigida por seus valores pessoais, avaliando o seu sucesso de acordo com critérios subjetivos (Hall, 2002), tanto em um emprego formal ou autogerenciado.

Como exemplo destas condições básicas temos os seguintes conceitos:

– Pró-atividade: em nossa profissão é a capacidade de antecipar necessidades e tomar atitudes antes de haver demanda externa para tanto como projetos preventivos de violência escolar, sexualidade, burnout, habilidades sociais, entre outros.  A pró-atividade também é muito importante quando atuamos com consultoria às escolas pois sabemos que muitas instituições ainda desconhecem o amplo espectro de atividades da Psicologia escolar e se restringem a perceber nossa atuação apenas no atendimento individual aos alunos e suas famílias. Assim é necessário a apresentação de projetos que contemplem às demandas mais cotidianas das escolas como já referimos acima, sempre logicamente, adequando-as à realidade de cada contexto. Assim a Psicologia escolar contemporânea passa de uma postura mais passiva de aguardar as demandas e então a agir através da escuta ativa, para uma postura propositiva que propõe atividades de cunho preventivo e assim diminuindo a ocorrência de situações conflitivas e de estresse escolar.

– Autenticidade: diz respeito à característica de sentir-se verdadeiro consigo mesmo, de preservar e valorizar os valores pessoais em questões de ética, religião ou entendimento político. É imprescindível que o psicólogo tenha claro se há concordância entre seus valores pessoais com seu fazer profissional.

– Abertura à experiência: esta é mais que uma característica pessoal e sim uma exigência de nosso tempo. Trata de se ter interesse intrínseco de experiências em uma ampla variedade de áreas. Por exemplo: não se fechar em um nível só de ensino atuando só na Educação Infantil ou só com adolescentes no Ensino Médio; trabalhando em grupo com diferentes profissionais potencializando a abrangência; ou seja, viver efetivamente a interdisciplinaridade. Novas fronteiras de conhecimento e atuação da Psicologia escolar se apresentam como gênero e escola, inclusão, aposentadoria de professores…

– Orientação para objetivos: neste sentido o psicólogo escolar deve sempre enfatizar o seu próprio aprendizado afim de poder aceitar novos desafios como aperfeiçoamento em cursos de especialização, na área acadêmica e em diferentes áreas do conhecimento. Além disso pode focar também seu interesse e preparação para concursos públicos municipais ou federais.

Além da carreira proteana, há outros modelos teóricos que buscam explicar como se desenvolvem as trajetórias profissionais da atualidade. Em nosso próximo post, abordaremos a teoria da Carreira Caleidoscópica, que tenta explicar os parâmetros que guiam a tomada de decisões profissionais dos sujeitos.

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