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Autorregulação na escola: quando o aluno não “se controla”, o que o psicólogo pode fazer?

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há 11 minutos
3 min de leitura

“Ele não se controla.” “É muito impulsivo.” “Não consegue ficar quieto.” Essas frases aparecem com frequência no cotidiano escolar para descrever estudantes que apresentam dificuldades para lidar com emoções, frustrações, conflitos ou tarefas.


Mas será que esse aluno realmente não quer se controlar? Ou será que ainda precisa desenvolver recursos para reconhecer o que sente, compreender o que está acontecendo e encontrar outras formas de reagir?


A autorregulação não é uma habilidade pronta. Ela se desenvolve ao longo da infância e da adolescência, nas relações com os adultos e nas experiências vividas em casa e na escola. Envolve a capacidade de perceber e ajustar emoções, pensamentos e comportamentos de acordo com cada situação.


Quando o comportamento vira um rótulo


Na escola, comportamentos relacionados à dificuldade de autorregulação podem ser interpretados apenas como desobediência, provocação ou falta de limites. Com o tempo, o estudante passa a ser conhecido como “difícil”, “agitado” ou “problemático”.


Esse tipo de rótulo pode fazer com que a criança seja vista apenas pelo comportamento que incomoda, sem que a equipe investigue o que está por trás dele. Uma crise pode estar relacionada a dificuldades de aprendizagem, ansiedade, mudanças na rotina, conflitos com colegas, experiências familiares ou desafios no desenvolvimento das funções executivas.


Isso não significa justificar qualquer comportamento, mas compreender que responsabilizar não é o mesmo que culpabilizar. O estudante precisa aprender a lidar com suas ações, mas também precisa de adultos que ofereçam referências, limites claros e oportunidades de aprendizagem.


Autorregulação e aprendizagem


A autorregulação também está relacionada ao processo de aprendizagem. Para realizar uma atividade, o aluno precisa manter a atenção, organizar etapas, controlar impulsos, lidar com erros e persistir diante das dificuldades.


Por isso, um estudante que abandona rapidamente uma tarefa pode não saber como lidar com a frustração. Outro que parece desatento pode ter dificuldade para organizar as informações ou acompanhar instruções com várias etapas.


Nessas situações, apenas dizer que o aluno precisa “prestar mais atenção” ou “se esforçar” nem sempre é suficiente. A escola pode ajudá-lo dividindo as tarefas, oferecendo instruções mais claras, antecipando mudanças e ensinando estratégias para pedir ajuda e reorganizar-se.


O papel do psicólogo escolar


A atuação do psicólogo escolar não deve se limitar ao atendimento individual do aluno ou à retirada da criança da sala de aula. É necessário compreender o estudante em relação à turma, aos professores, à família e à própria organização escolar.

 

O psicólogo pode ajudar a equipe a investigar em quais situações o comportamento aparece, o que acontece antes de uma crise e quais estratégias ajudam o estudante a se reorganizar. A partir disso, podem ser desenvolvidos projetos de habilidades sociais, competências socioemocionais, resolução de conflitos e autorregulação da aprendizagem.


Também é possível orientar os professores sobre a importância de estabelecer combinados claros, reconhecer pequenos avanços, evitar a exposição pública e retomar a situação com o aluno depois que ele estiver mais tranquilo.


Acolher também é estabelecer limites


Promover autorregulação não significa permitir que o estudante faça tudo o que deseja. Limites claros e consistentes são importantes para que ele compreenda o que se espera dele e desenvolva autonomia.


A diferença está na forma como esses limites são apresentados. A escola pode responsabilizar o aluno por suas escolhas sem humilhá-lo ou reduzi-lo ao comportamento que apresentou. Acolher significa compreender sua dificuldade; responsabilizar significa ajudá-lo a reconhecer suas ações e construir novas formas de agir.


Quando um aluno “não se controla”, a pergunta não precisa ser apenas “como fazer com que ele obedeça?”. Também é importante perguntar: o que ele ainda precisa aprender? Que apoio está faltando? Como a escola pode ajudá-lo a desenvolver mais autonomia?


Se você deseja se aprofundar nessa temática, uma possibilidade é conhecer a Especialização em Psicologia Escolar e Educacional, do CAPE. A formação aborda temas como desenvolvimento psicossocial, neuropsicologia na infância, funções executivas, autorregulação da aprendizagem e emocional, competências socioemocionais, transtornos de aprendizagem e intervenções no contexto escolar.


Profissionais preparados conseguem olhar para além dos rótulos e construir estratégias mais adequadas para que a escola seja um espaço de aprendizagem, desenvolvimento e saúde emocional. Afinal, autorregular-se não é simplesmente “se controlar”: é aprender, com apoio e ao longo do tempo, a compreender o que se sente e escolher formas possíveis de agir.

 

 
 
 

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