Geração nem-nem: o que a escola e o psicólogo podem fazer antes que o jovem desista?
- contato00245
- 9 de jul.
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A expressão geração nem-nem costuma aparecer para nomear jovens que não estudam nem trabalham. Mas, por trás desse rótulo, quase sempre existe algo mais profundo do que desinteresse ou “falta de esforço”. Em muitos casos, há cansaço, insegurança, desânimo e a sensação de que o futuro deixou de ser uma possibilidade real.
No Brasil, esse fenômeno segue ligado a contextos de vulnerabilidade social, desigualdade e dificuldades de permanência na escola. Ainda assim, seria simplista tratá-lo apenas como um problema econômico. Para muitos adolescentes, o afastamento começa antes da saída oficial da escola. Primeiro vem a desconexão, depois a perda de sentido, e só então a evasão escolar se consolida.
Quando a escola deixa de fazer sentido
Na adolescência, estudar não significa apenas cumprir uma etapa. Significa também construir identidade, pertencimento e projeto de vida. Quando o estudante não se reconhece no ambiente escolar, quando percebe que o conteúdo pouco conversa com sua realidade ou quando sente que suas dificuldades não são escutadas, o vínculo vai enfraquecendo aos poucos.
Esse processo é silencioso. O jovem continua matriculado, mas já não se vê ali. Participa menos, se envolve menos e passa a imaginar que aquela trajetória não combina com sua vida. É nesse ponto que a escola precisa olhar com mais atenção, porque a desistência raramente começa de forma brusca.
Projeto de Vida não é só disciplina
Dentro da educação brasileira, o Projeto de Vida ganhou espaço como parte da competência “Trabalho e Projeto de Vida” da BNCC. Mais do que uma disciplina, ele é um convite à reflexão sobre quem o estudante é, o que deseja e quais caminhos consegue construir a partir da sua realidade.
Quando bem trabalhado, o Projeto de Vida favorece autoconhecimento, identidade, planejamento, tomada de decisão e protagonismo juvenil. E isso faz diferença especialmente para adolescentes que perderam a capacidade de imaginar um futuro possível. Afinal, ninguém sustenta um percurso quando não consegue se ver adiante.
Orientação profissional como prevenção
A orientação profissional também tem um papel importante nesse processo. Ela não serve apenas para ajudar o jovem a escolher uma profissão. Serve para ampliar horizontes, reconhecer habilidades, explorar interesses e reduzir a ansiedade diante das escolhas.
Na escola, orientação profissional e Projeto de Vida caminham muito bem juntos. Enquanto um ajuda o adolescente a se perceber, o outro o ajuda a se projetar. Juntos, eles fortalecem o vínculo com o estudo e podem funcionar como estratégias de prevenção da evasão escolar.
O papel da psicologia escolar
A psicologia escolar tem muito a contribuir quando o assunto é geração nem-nem. A atuação do psicólogo não se organiza como atendimento clínico dentro da escola. Em vez disso, se constrói a partir de ações institucionais e preventivas, articuladas com o projeto pedagógico.
Isso envolve escuta qualificada em diferentes espaços, trabalho com grupos de estudantes, projetos coletivos, ações de pertencimento, apoio às equipes escolares e orientação às famílias. O foco deixa de ser o “caso individual” e passa a ser a compreensão de como a escola pode se tornar um lugar mais acolhedor, significativo e sensível às experiências dos adolescentes.
Em muitos casos, o que falta ao jovem não é capacidade. Falta rede, falta referência, falta alguém que ajude a transformar aquilo que ele sente em possibilidades concretas de caminho. A psicologia escolar contribui justamente para que a escola enxergue o estudante como sujeito em formação, atravessado por dúvidas, afetos, escolhas e também por condições sociais que limitam ou ampliam seus horizontes.
Um caminho para reacender o futuro
Talvez a pergunta mais importante não seja por que tantos jovens saem da escola, mas o que a escola pode fazer antes que isso aconteça. Quando o estudante encontra espaço para falar sobre si, pensar seu futuro e perceber que ainda há caminhos possíveis, o cenário muda.
A escola pode ser esse lugar de retomada. Um espaço onde o adolescente volta a se reconhecer, a planejar e a acreditar que ainda vale a pena continuar.
Para quem atua com esses jovens, aprofundar o olhar técnico faz diferença. Conhecer teorias, estratégias e experiências em orientação profissional, Educação para a Carreira e Projeto de Vida ajuda a transformar preocupações em projetos concretos de intervenção.
Se você deseja se aprofundar nessas temáticas, uma possibilidade é conhecer a Formação em Orientação Profissional do CAPE, um curso 100% on-line, com acompanhamento das professoras, que articula módulos sobre adolescência e identidade profissional, orientação profissional no contexto clínico e no contexto escolar, Educação para a Carreira, Projeto de Vida e intervenções práticas. Ao longo da formação, técnicas, ferramentas e estudos de caso são trabalhados de forma próxima à realidade das escolas, com supervisão e troca com docentes experientes na área.
Profissionais preparados conseguem construir intervenções mais consistentes e, com isso, contribuir para que menos jovens se sintam sem lugar. Em muitos casos, o trabalho do psicólogo escolar e da equipe docente é justamente esse: ajudar o adolescente a reencontrar o futuro que, por algum tempo, ele acreditou ter perdido.




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