Psicologia Escolar fundamentada em referenciais psicanalíticos: a escola não pode ser uma experiência de dor
- Cape Psicologia

- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Texto escrito pela psicanalista Aline da Silva Andreazza, aluna do curso de Psicologia Escolar no Ensino Fundamental
A afirmação de Rubem Alves, ao dizer que “o que penso dos jovens e da educação não me permite aceitar que a escola seja uma experiência de dor”, convida a uma reflexão profunda sobre o papel da escola na constituição subjetiva de crianças e adolescentes. À luz da Psicologia Escolar, fundamentada em referenciais psicanalíticos, essa frase aponta para a necessidade de compreender a escola não apenas como um espaço de transmissão de conteúdos, mas como um território de relações, afetos e produção de sentido.
Do ponto de vista psicanalítico, o sujeito se constitui na relação com o outro e com as
instituições que o atravessam. A escola, enquanto uma das principais instituições da
infância e da adolescência, exerce função estruturante no processo de subjetivação. Quando a experiência escolar é marcada pelo sofrimento, pela exclusão, pela desqualificação ou pela excessiva normatização, há o risco de que o espaço educativo se transforme em um lugar de repetição de dores psíquicas, reforçando sentimentos de inadequação, fracasso e desamparo.
A Psicanálise nos ensina que aprender envolve desejo. O desejo de saber não se sustenta em ambientes onde predominam o medo, a punição e a cobrança excessiva. Quando a escola se organiza apenas a partir de exigências de desempenho, desconsiderando a singularidade dos alunos, ela pode produzir sofrimento psíquico e bloqueios no processo de aprendizagem. Nesse sentido, a dor na escola não se refere apenas a dificuldades cognitivas mas também a impasses emocionais e relacionais que atravessam o cotidiano escolar.
A Psicologia Escolar, com base em fundamentos psicanalíticos, propõe uma escuta sensível das demandas que emergem no contexto educativo. Escutar o aluno, o professor e a instituição implica reconhecer que os sintomas escolares — como dificuldades de aprendizagem, problemas de comportamento ou desmotivação — não são apenas questões individuais, mas expressões de conflitos que envolvem o sujeito e o laço social. A escola, portanto, precisa ser pensada como um espaço que acolhe o sofrimento, sem transformá-lo em rótulo ou diagnóstico precipitado.
Quando Rubem Alves afirma que não aceita a escola como uma experiência de dor, ele
aponta para a responsabilidade ética da educação em oferecer um ambiente que favoreça o desenvolvimento psíquico saudável. Isso implica criar espaços de pertencimento, reconhecimento e escuta, nos quais o aluno possa se sentir visto em sua singularidade. A presença do psicólogo escolar, nesse contexto, contribui para a mediação de conflitos, para o fortalecimento das relações e para a construção de práticas pedagógicas mais humanizadas.
Assim, compreender a escola como um lugar que não deve produzir dor é reconhecer que educar é também cuidar. A partir de uma perspectiva psicanalítica, a escola pode se
constituir como um espaço simbólico que sustenta o desejo de aprender, promove vínculos e possibilita ao sujeito elaborar suas experiências, transformando o aprender em uma vivência de sentido e não de sofrimento.
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