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“As crianças deixadas à sua própria sorte, ficarão sujeitas à tirania do próprio grupo”

Nossa aluna, Claudia Maria de Lavor, psicóloga do curso de Formação em Psicologia Escolar EAD, descreve abaixo seu entendimento sobre a frase de Hannah Arend: “As crianças deixadas à sua própria sorte, ficarão sujeitas à tirania do próprio grupo.” Confira:

A esse respeito, a autora alerta sobre o risco das novas práticas pedagogias e “psi” introduzidas no contexto educacional a partir da modernidade. O advento da modernidade trouxe consigo os ideais de liberdade que de certa forma atingiram o modo de vida da sociedade e consequentemente as concepções educacionais existentes naquela época. Estes ideais eram marcados por um imenso repúdio as práticas disciplinares educacionais consideradas demasiadamente violentas. Na qual, crianças e jovens sofriam violências físicas e psíquicas nas escolas, era comum a aplicação de castigos e punições.  Hannah ressalta que a crise educacional era resultado da associação entre a pedagogia e a psicologia responsáveis pela formação de uma educação progressista.  A Sociedade Moderna se viu diante de uma revolução radical de todo o sistema educacional e para a autora parte daí o fracasso existente nos dias atuais.

Segundo Hannah, a criança precisa ser preparada para o mundo e a escola e a educação são peças fundamentais desse processo. Cabe a escola juntamente com a família a função de mediar essa introdução da criança no mundo público. Suas análises acerca desse tema teciam críticas aos métodos pedagógicos e psicológicos centrados unicamente na criança, no qual, a figura de autoridade passa a ser entendida de modo distorcido. Fazendo com que a criança se torne a figura central seja no ambiente familiar ou escolar. Ao repudiar práticas disciplinares baseadas em ações e discursos ditadores surge uma nova lógica de pensamento que se mostra contrária a todo e qualquer tipo de autoritarismo.

A sociedade atual encontra-se perdida diante desse dilema principalmente quando se refere à criação e a educação das crianças. O processo de negação ao modelo anterior foi tão fortemente estabelecido fazendo com que noção entre autoridade e autoritarismo seja tão comumente confundida por pais e professores. “Deixar a criança a própria sorte” significa deixar a criança sem esse referencial de autoridade, sem saber o que é certo ou errado, o que  ela pode ou não fazer. Ao falhar ou negligenciar na educação e nas ações inadequadas dos filhos os pais consequentemente estão contribuindo para a formação de jovens perdidos, abandonados ou até mesmo delinqüentes. A cada dia se torna mais evidente a figura do “reizinho da casa” e pais submetidos ao capricho e a vontade dos mesmos.

A autoridade é algo que um indivíduo necessita possuir, ou seja, está ligada a liderança, comando e postura. Ter autoridade com filho significa ter domínio, ter conhecimento, saber como agir ensinando-o o respeito às regras e limites. Ao contrário de ser autoritário, ou seja, aquele que impõe algo por imposição, geralmente fazendo uso da força física ou da violência verbal.  Portanto, para que essa figura referencial se constituía é necessário que pais e educadores aprendam ao longo do tempo construir relações com outro, baseadas na autoridade. Como forma de adquirir conhecimento e transformá-lo em sabedoria, desse modo, o processo de desenvolvimento de criança se tornará mais saudável.

Pais precisam compreender a importância do seu papel na formação do caráter e da personalidade de seus filhos. Trazer para si as responsabilidades, evitando que o processo educacional do filho seja terceirizado pela escola, babá ou por pelos próprios amigos. A escola precisa se readaptar e se reconstruir, estabelecer novas formas de ação que produzam discursos que não só atendam as demandas dos familiares, mas que também fortaleçam a figura do professor. O professor necessita ser mais apoiado em suas ações para que ele consiga executar sua função de educador na formação de valores éticos.

#Educação #Limites

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