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O que mais eu devo fazer para motivar meus alunos?

Confira trecho do livro “Motivação para Aprender, Motivação para Ensinar” de autoria da psicóloga Vivien Rose Böck, diretora do CAPE.

Alguns anos atrás, uma professora de literatura, falava sobre um momento muito frustrante vivido com seus alunos. Contou que havia preparado com todo esmero e dedicação uma aula de literatura sobre a fase do Romantismo. Passara a noite trabalhando e julgou que ficara muito bom, a ponto de mostrar o planejamento para um colega professor da mesma matéria. Mas sua frustração surgiu com os alunos, para os quais preparara a aula. Eles não manifestaram qualquer interesse pelo assunto, alguns passaram o período conversando, outros estavam totalmente desatentos.

A professora  perguntou, num misto de desencanto e indignação:

 “-Tanto trabalho, tanta dedicação e os alunos nem aí. Eu me dediquei, criei uma aula interessante e eles não se interessaram. O que mais eu devo fazer para motivar meus alunos?”

O que se pode fazer é mudar o entendimento, a linha de compreensão sobre motivação escolar.

No caso exemplificado anteriormente, a professora trouxe autores, datas, obras, muito bem organizados, mas isso não atraiu seus alunos. Eles não demonstraram necessidade interna própria de saber sobre o Romantismo. Talvez essa fosse uma vontade da docente, talvez venha a ser uma necessidade futura dos alunos, mas naquele momento não havia essa carência e assim não houve motivação e em conseqüência, não houve aprendizagem.

No entanto os jovens querem saber de romance, os adolescentes facilmente são românticos, pois esta é uma característica desta etapa da vida, os namoros, os encontros, os primeiros amores… Provavelmente a docente teria tido mais atenção dos alunos se tivesse aproveitado e integrado as experiências românticas deles com a fase literária do Romantismo.

O erro da docente foi acreditar que ela podia motivá-los.

Ninguém motiva alguém. A idéia, muito disseminada, de o professor conseguir motivar os alunos é falsa e cria expectativas frustrantes.

Para que existam estudantes motivados para a aprendizagem, é necessário entender o processo motivacional e as circunstâncias nele implicadas.

O que é motivação?

A motivação é compreendida como uma energia interna que impele as pessoas à ação.

Segundo Bergamini (1997) a “motivação é função tipicamente interior a cada pessoa, como uma força propulsora que tem suas fontes frequentemente escondidas no interior de cada um e cuja satisfação ou insatisfação fazem parte integrante de sentimentos experimentados tão somente dentro de cada pessoa”.

A motivação provem da pessoa, de dentro para fora, e não de fatores externos ao sujeito, apesar de poder ser influenciada por eles. A própria palavra – motivo + ação – descreve este processo, ou seja, é necessário existir um motivo interno para desencadear uma ação.

Os motivos são entendidos como necessidades próprias da pessoa, não satisfeitas, que geram sensações físicas ou emocionais negativas, de tensão, as quais ameaçam a integridade da pessoa. (Bergamini, 1997; Huertas, 1997; Vernon, 1973). Conforme a intensidade deste desconforto, os indivíduos sentem-se pressionados a agir de modo a encontrar um equilíbrio de bem-estar pessoal. Assim quanto mais intensa for a necessidade, maior será a motivação.

A motivação é conseqüência de necessidades não satisfeitas.

A pessoa aprende quando enfrenta em si e reconhece uma situação de falta ou carência. Se esta problematização não ocorre, a aprendizagem não se inicia ou, se iniciada, não se consolida (Fernández, 2001).

A simples enunciação do objeto de conhecimento, normalmente, não é suficiente para mobilizar a atenção do aluno sobre o tema. É necessária uma ação educativa no sentido de provocar, desafiar, estimular, ajudar o estudante a estabelecer uma relação significativa com o assunto, que corresponda, em algum nível, à satisfação de uma necessidade sua, mesmo que esta necessidade não estivesse tão consciente de início. (Vasconcellos, 1992)

Portanto para que os alunos sejam motivados deve-se pensar quais são as necessidades deles, ou como fazer para provocá-las, para suscitar suas carências.

O desafio está em fazer o aluno desejar o que lhe é oferecido em sala de aula pelo professor.

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